> Século 2017
> Eu queria muito resolver seu coração destroçado
> Quiçá descobrisse como resolver o meu
> Você diz "relaxe"
> Como, se não tenho teus braços pra relaxar?
> Eles tão longe pra cacete
> E ainda que perto certo que você os manteriam cruzados
> Eu admito que sou um péssimo salva-vidas
> Preferem morrer a um boca-a-boca salvador meu
> Eu sei, talvez eu optaria isso se meu candidato a salvador fosse eu mesmo
> Romantismo não combina com fanfics
> Cadê a treta ou lavagem de roupa suja?
> Cadê a historinha criada pra dar drama na vida?
> Eu sou péssimo inventor
> Criei isso só pra de uma forma diferente demais
> Dizer que quero somente o amor Eros bem gostoso
> Deus, vê se manda essa encomenda o mais rápido que der
> O destinatário eu tá numa crise de abstinência irreversível
> Cansado de ver Misfits e ouvir filmes de terror da vida real
> Ter um motivo pra uma mesa e velas e rosas e vinho tinto
> Ter um alguém pra um motivo pra uma mesa pra tudo acima
> Mas invés de cantar "Hey little girl I wanna be your boyfriend"
> Eu ainda grito a plenos pulmões "STATIC AGE STATIC AGE!"
> Duvidosamente alguém dará atenção
> Século 2017
> Alguém poderia dizer se aquele cadáver ali na frente é o meu
> Ou é só uma visão do meu futuro suicídio
> Desprezo
> E não terão noites dos mortos vivos pra eu dizer
> "Voltei meu amor, agora vim te buscar"
Textos poéticos/contos/crônicas todas terças, quintas e sábados... ou quando a inspiração mandar...
Mostrando postagens com marcador Terror. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Terror. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
sábado, 9 de julho de 2016
Eartheria
Bem-vindo à terra de Eartheria, uma terra que a desolação se tornou a grande rainha, devoradora de todos nós. Nós fomos pessoas felizes, ao extremo, até que percebemos que a felicidade era um erro, todo sentimentalismo, uma fraqueza. As mulheres consideraram o romantismo machismo ou fraqueza, coisa de imbecil, de quem queria apenas ser pisado. Em contrapartida, os homens passaram a desprezar todas as mulheres, desejando-as apenas para seus prazeres incontidos, sexualmente reprimidos. Pais e filhos passaram a inexistir como relação, pois se não havia sentimentos entre iguais, entre os pais e filhos então se tornou uma incógnita gigantesca.
E assim os homens e mulheres se uniram com o objetivo de criar seu próprio Index, sua censura, seu órgão de controle, sua Santa Inquisição, contra todos os vestígios de sentimentalismo que esse mundo produziu. Em cantorias, os seres da "era de transição" entre a "idade das trevas sentimental" e a "era de Aquarius do Imperador Ego" comemoravam cada um dos seus "triunfos".
Nesse deserto de almas também desertas, não há mais nenhuma especial. Se Caio Fernando Abreu fosse de nosso reino nos dias atuais, teria se suicidado ao ver o nível de desolação que vivemos na atualidade. E seria uma bênção, para todos nós.
Todos nós?
Em alguns momentos, eu confesso que me sinto talvez um alienígena. Um subversivo, perdido num planeta caótico. Me sinto como Kamandi, o último garoto da Terra, solitário num universo tomado por animais "pensantes" e ninguém igual a si nunca mais.
Me sinto um ser em extinção. Eu gostava de lembrar de quando minha terra tinha palmeiras onde cantava o sabiá. As aves que gorjeiam aqui passam longe daquelas, hoje em dia só sobraram as aprisionadas em gaiolas, ou as mortas e empalhadas.
Eu gostava de lembrar da aurora da minha vida. Dos oito anos que nunca mais voltarão. Gostava de lembrar da mais bela no vapor do meu cachimbo, criatura vaporosa. Relembrar os tristes fantasmas, das mulheres que amei, gentis e puras. Das paixões que a solidão formava, nas inspirações de meu claustro. De ouvir uma boca dizer "vem" e após meu beijo dizer "morde também". De como salgueiro solitário junto ao lago suspirar, suspirar...
Saudade me dá das Moreninhas, Senhoras, Divas, até mesmo de relembrar das velhas memórias dos sargentos de milícias. Tudo isso gera em mim algo sublime... e ao mesmo tempo PROIBIDO! Oh, céus, eu fui contaminado pelo maldito sentimento, o amor! Ninguém pode saber de nada... NINGUÉM!
Droga... esqueci... você também é um deles... não me restará outra condenação a não ser ver os meus torturadores, meus acusadores, juízes insensíveis, sorrirem para minha situação pérfida e incauta enquanto sou obrigado a tomar a cicuta da depressão e o cianureto da desilusão enquanto decidem o que fazer com minhas partes que serão esquartejadas, minhas entranhas serão devoradas pelos corvos que certamente gritarão nos ouvidos do que sobrar de minha cabeça decapitada:
E assim os homens e mulheres se uniram com o objetivo de criar seu próprio Index, sua censura, seu órgão de controle, sua Santa Inquisição, contra todos os vestígios de sentimentalismo que esse mundo produziu. Em cantorias, os seres da "era de transição" entre a "idade das trevas sentimental" e a "era de Aquarius do Imperador Ego" comemoravam cada um dos seus "triunfos".
Nunca mais teremos o pérfido Don Juan
Nem o de Tirso, nem o de Mozart, tampouco o de Byron
O Amor de Perdição de Castelo Branco foi demolido
Nenhuma Noite na Taverna, nenhum Azevedo as viverão
Que Fausto se junte a Goethe na morte eterna
Nunca mais Poe, corvos ou Virgínias
Que Alencar se afogue no rio de Iracema
As flores do mal de Baudelaire virem escórias cretinas
Nenhuma paixão mais, ao diabo com o desejo carnal
Todo amor é imbecil, torne-se em pecado capital
Nesse deserto de almas também desertas, não há mais nenhuma especial. Se Caio Fernando Abreu fosse de nosso reino nos dias atuais, teria se suicidado ao ver o nível de desolação que vivemos na atualidade. E seria uma bênção, para todos nós.
Todos nós?
Em alguns momentos, eu confesso que me sinto talvez um alienígena. Um subversivo, perdido num planeta caótico. Me sinto como Kamandi, o último garoto da Terra, solitário num universo tomado por animais "pensantes" e ninguém igual a si nunca mais.
Me sinto um ser em extinção. Eu gostava de lembrar de quando minha terra tinha palmeiras onde cantava o sabiá. As aves que gorjeiam aqui passam longe daquelas, hoje em dia só sobraram as aprisionadas em gaiolas, ou as mortas e empalhadas.
Eu gostava de lembrar da aurora da minha vida. Dos oito anos que nunca mais voltarão. Gostava de lembrar da mais bela no vapor do meu cachimbo, criatura vaporosa. Relembrar os tristes fantasmas, das mulheres que amei, gentis e puras. Das paixões que a solidão formava, nas inspirações de meu claustro. De ouvir uma boca dizer "vem" e após meu beijo dizer "morde também". De como salgueiro solitário junto ao lago suspirar, suspirar...
Saudade me dá das Moreninhas, Senhoras, Divas, até mesmo de relembrar das velhas memórias dos sargentos de milícias. Tudo isso gera em mim algo sublime... e ao mesmo tempo PROIBIDO! Oh, céus, eu fui contaminado pelo maldito sentimento, o amor! Ninguém pode saber de nada... NINGUÉM!
Droga... esqueci... você também é um deles... não me restará outra condenação a não ser ver os meus torturadores, meus acusadores, juízes insensíveis, sorrirem para minha situação pérfida e incauta enquanto sou obrigado a tomar a cicuta da depressão e o cianureto da desilusão enquanto decidem o que fazer com minhas partes que serão esquartejadas, minhas entranhas serão devoradas pelos corvos que certamente gritarão nos ouvidos do que sobrar de minha cabeça decapitada:
- NUNCA MAIS!
sábado, 16 de abril de 2016
Madrugada de 15 de Abril de 2016
E eu cai
Num profundo abismo sem ver as cores do arco-íris
Pois a escuridão despedaçou o prisma e o facho de luz se perdeu no espaço sideral
Eu caindo
Sem saber onde será o fundo do poço, ou se vão cavar um pouco mais abaixo
Até onde meu corpo como átomo na imensidão do vácuo irá ser sugado rumo a uma fissão nuclear
Minha Nuclear Football caiu nas mãos de presidentes errados
Cabrum, quando virá
Eu cairei
Lá atrás me perseguem os monstros da sociedade esquecida e reinante sobre nós
Eles não me deixam em paz, como pedras rolantes em uma avalanche
Rock'n'roll com suas mandíbulas babando, minha carniça ansiando
Será que há alguma saída, algum esconderijo, ou apenas mais abismos?
Meu outro eu, perverso irmão que deseja se apossar de minha pele e por fim ser eu
A rainha das inseguranças me fazendo devorado por mim mesmo
Meu corpo em exposição, como um animal no zoológico, desnudo
Minhas vergonhas expostas, entranhas, estranhas
Os sorrisos de meus erros e estupideces, agora são risos alheios, alheios à minha dor
Ao meu pânico ao vê-los da minhas inseguranças tecerem a próxima atração do circo Thiani
Impossível pensar em deixar que meu anseio rubro ruivo tivesse o azar de meu eu contemplar assim
De quedas a uma explosão do meu velho Fusca MeiaOito
A culpa sempre foi minha, sempre é, sempre será, não precisa repetir
Acidentes acontecem, mas isso não isenta nossa estupidez
Quando perdi um anel de ouro de tantos quilates aí, ou quando deixei de conquistar sonhos idosos
Não adianta enfiar as circunstâncias no banco dos réus que é todo meu
Veredicto: Culpado
Pena: Capital
Execução: Sumária
Invés da morte, a mutilação
Braços e pernas se vão, em vão, por vãos e grãos de terra os cobrirão
Lívida e vívida esperança decapitada caminha agonizante até que não hajam mais impulsos reflexos
Minha hematridose escorre como suor por meus decepados membros, dores fantasmas, coceiras
Castração, inutilidade, jogado à sarjeta, irmã e mãe dos enjeitados... re-jeitados
Perdido, sem lanterna dos afogados, no mar aberto
Aguardando meu tubarão fazer sua refeição
Hemorragia o atrairá, um deserto d'água, encruzilhada de mil cruzes cruzando-se em circunferência
Quase todos caminhos que segui outrora só me fizeram ficar salobro, pulmões úmidos
Será que haverá ao menos uma praia para morrer por lá?
De repente estou encerrado no presídio da minha mente
A gaiola de um pássaro sem asas da espécie Ego Eu
Contemple cada 2 cm que formam meus 4 cm² de conforto atual
Divido em três paredes e a quarta, você pode vê-la, em forma de barras de ferro
No fim, percebo, essa prisão é subaquática
Minha respiração agonizante se apercebe que escapatória inexiste, hoje, sempre e eternamente
Eu criei minha cela, nela me tranquei e perdi as chaves no mesmo abismo que continuo a cair
Lamúrias do fracasso mandam seus odes, elegias e sonetos de insanidade
Desiluda-se, iluda-se, curvar-se aos dois deuses do dualismo anímico
Bebais meu fluido sanguíneo, vampiro galante e cruel
Com sua capa, tecida em fios de ansiedade, acupuntura a qual só nos traz pontos e cicatrizes
Doloridas recordações tatuadas em nossas faces, fraca-sai
No fim, termina em caixão, complemente "e vela preta"
Vala aberta, seis pés abaixo
Eles me aguardam
Eu cairei
E a pá do coveiro fará meus irmãos, areia, argila e cascalho, caírem logo após a me guiar e cobrir...
A traição, o último pesadelo
Essa é tão sagaz, que por vezes só se revela post-mortem
Quando até mesmo as rosas e crisântemos lançados e que decaíam sobre o sepulcro
Simplesmente desvanecem para sempre junto com recordações, saudades, nada mais, pó e cinza
"Catiti catiti/ Imara Notiá / Notiá Imara / Ipeju"*
Acordei
Mas ainda prossigo com uma sensação que apenas despertei de um pesadelo dentro de outro
Ou vários despertos que se sucederam e me avisam:
Ou vários despertos que se sucederam e me avisam:
Eu ainda posso permanecer caindo...
*"Lua nova, ó Lua Nova! Assoprai em lembranças de mim; eis-me aqui, estou em vossa presença; fazei com que eu tão-somente ocupe seu coração" em tupi-guarani; extraído do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, traduzido por Couto Magalhães.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Atentado Encefálico
Um abalo sísmico racha a existência humana
Eye candy... but not very beautiful
Marilyn Monroe... Leila Diniz... Cindy Crawford... Gisele Bündchen... até cairmos nas Frutas
Nunca a beleza esteve tão a preço de banana... ou menor, já que banana tá bem cara
Tá lá anunciando "mulher-caqui, mulher-sapoti, mulher-quiabo, R$ 1,00 a unidade!"
Delícia... Ai... que delícia!
1/10
Nossa miopia estúpida ainda vai nos cegar e nos fazer morrer de fome, de sede e na mão... de quem?
Exigimos o que não temos ou não queremos ou podemos dar, exigimos perfeição imperfeitamente
E assim nós cruzamos e descruzamos as pernas esperando que vejam nossas vergonhas e cliquem
Registrado a todos a imunda fapfapcataplam que move nossos membros superiores
E que nos hipnotizam, saliva cannabis sativa, ativamente entorpecidos
A história é um rodopio, um pião em torno do mesmo eixo de destruição
Dizem algumas que 99,9,%, não, 100% dos homens são traidores, são iguais e ponto e acabou-se
É muita burrice e falta de noção ou de capacidade dessas de sempre escolher tudo errado
E erroneamente ignorar que tantos de nós desistimos, afinal desistiram de nós antes das decepções
Alguns chamam isso de choro de rejeitadinho, friendzone, forever alone e essas expressões aí afora
Eu chamo isso de uma expressão vulgar, me desculpem de antemão: "saco cheio".
Nossa mania de dar esperanças em causas perdidas, mentiras sinceramente covardes
Medo de decepcionar que leva às piores decepções
Daí fingimos que nada aconteceu, que não sabíamos de nada, inocentemente culpados
Abençoada maldição que premeditamos e ditamos o ABC:
- A.maldiçoada B.osta C.adavérica!
Bocas cegas e dementes na lama, gritando no escuro para todo o sempre
Merdinha romântico. Bostinha sensível. Poeta de mijo... eu
Mas eu creio na voz dela, que me puxa do desespero, o poder da loucura, do amor, doce ave juvenil
A forja da minha alma
Me esquarteja, mas não exponha minha cabeça para os que se assentam no trono da religiosidade
Nem todos os números imaginários fariam o cálculo diferencial para tanta mesmice
Minha sina, carma, espinho na carne, quiçá marca de Caim, carrego a cruz sem saber até quando
Eu sou humano, carne e sangue, pó, barro, alguns diriam "macaco sem pelos"
Eu sou igual a você, mesmo tão diferenciado em tanto e tão pouco
Enganos inerentes, externados, um elogio a sã e coerente loucura contada como história versificada
Vida bandida... adida da embaixada do país de fracassos chamado "nosso coração"
Atrás do espelho há um poltergeist esperando para nos devorar
Ou apenas... (continua... ou não, talvez com uma boa audiência role sequência).
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Máscara Medusa (A Manipulação Emocional)
UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
Remova minha máscara, jovem
Minha psique irá se alimentar de seu pavor (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!!)
Puxarei as cordas do desesperoooooo para coagular seus capilares cerebrais
Farei um brainstorm e suas ideias irão pular abismo adentro
Humano ou meta-humano, até se você se achar mutante, não consegue resistir ao tormento emocional
Seu protoplasma é uma gelatina doce para minha fome saciar
Minha prestidigitação é inaudível e imperceptível para pobres mortais
Claro como a lama dos pântanos de Mato Grosso do Sul
Fracos e pálidos humanos, reles escravos do Desejo e viajantes do Delírium
Mas a minha persuasão é tocante, impulsiva, eficaz, quase um romance:
Farei cada pedaço de seus neurônios retorcerem-se como serpentes sem cabeça no pó da terra!
"Tudo que é mesquinho, egoísta e maligno está logo abaixo da superfície humana"
E assim o caossssssssssssibila como cascavel chocalhando sua peçonha no calcanhar humano
A ânsia pela aaaaaaaaaaaaadoração... aaaaaaaaadmiração, ignoram a DOOOOOOOORRRR alheia
Pseudo-fé, pseudo-crenças, dominam os oportunistas
A galeria da blasfêmia continua a se multiplicar em quadros e imagens de impuros
Perfurando como coroa de espinhos o sagrado coração da fé
E é assim que eu em pedra transformo todas as emoções, ídolos paralisados na minha parede
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Apparet ingenium mors
Distanásia em mim
Eu tento tolamente fingir que não morri
Mas minha morte cerebral não é apenas aparente, é diagnosticada e comprovada
Vegetar sem clorofila é morrer um pouco a cada dia a mais
Como as pessoas normais vivem?
Eu tentei ser uma delas... mas fracassei
Pois quando se é normal, em que se apoiar quando o anormal surge feito tsunami
E arrasta toda nossa normalidade ao ralo da insanidade?
"Não sou especial. Não sou puro. Sou lama e chama."
A magnum opus de um alquimista maluco, um rebis do bem e do mal
Eu preciso de aprender a rastejar dos escombros que meu castelo de areia virou
Veja os cadáveres dos meus sonhos, amigos imaginários e fantasias apodrecendo no necrotério
O Capitão Folha secou e queimou-se pelo sol ardente de Rio Doce
O Super-João, igual quando virou supervisor, foi superado pela superstição do capitalismo selvagem
UltraJohnnÿ, ah, tolo, risadas dou, as traças o devoraram num papel-machê amassado
E o que dizer do fim do J.D. e suas cartas de amor que amorosamente se rasgaram em confetes?
Meus personagens, personalidades, personas, pessoas, peças de mim
Todos viraram pó na explosão da última estrela em nebulosa na constelação das minhas sinapses
Apaga-se a luz, desliga-se o Bibap, os cateteres param de emitir suas soluções intravenosas
O monitor traça uma linha contínua fatal, o canto fúnebre de um bip interminável
.
.
.
.
.
.
.
Quando silenciarei?
Quando se lenços darei para enxugar a lágrima derradeira das infantes ilusões?
Quando um poema pode ser uma EQM* (Experiência de Quase Morte pros leigos)*
E os sábios desse mundo se chocarão quando o último suspiro decidir ser adiado por mim mesmo
quinta-feira, 24 de março de 2016
Anatomia Corpo-alma-espírito
Como deseja que eu comece, senhor Alcméon?
Talvez Galeno tenha umas dicas de como usar aquela espada de dois gumes
Para me autodissecar
Aquela parte da máscara também, e a maquiagem do Palhaço Brigadeiro igualmente
Pele falsa igual aquela fabricada no PhotoShop por alguém que parece um ótimo espécime para isso
Estou com a serra, a faca afiada de palavras sanguinárias escorrendo pela lâmina
As fábulas e parábolas espirram das veias e artérias cerebrais, o encéfalo pulsante e repulsante, repulsivo
Consigo enxergar cada minuto de pavor que pesadeleou, cada delícia que sonhou
Seus temores, poucas virtudes expostas, diversas sinapses viciadas nas concupiscências
E até o último centésimo de segundo que o cerebelo manteve o equilíbrio corporal antes da inércia
e que a lei da gravidade impulsionasse a força magnética centrífuga dos corpos estáticos ao centro do planeta
Nas sinapses a alma ocultou-se e enviou-se a cada ponto corpóreo
À pele, trazendo o perfume carniceiro do suor para evidenciar o cansaço e o prazer carnívoro
Aos olhos, dilatando-os a cada lascívia, lacrimejando-os a cada beleza partida e perdida
Ou a cada fingida, sabe-se lá
À língua a cada mordida dentária o degustar da vide e do amargor do quiabo, ou do diabo, quiçá
Aguardando a fricção dos lábios em algum outro, lábios superiores e, porque não, os inferiores...
Desliza ao trapézio, deltoide, bíceps e tríceps, rumo aos flexores para fechar as falanges
que colidirão rumo ao bucinador doutro alguém cobertos de força, fúria e violência
Ou apenas em busca de um arco para esfrega-lo às cordas de um violino
que soprarão cantigas consoantes, dissonantes, afinadas ou com um "des" antes
contra os músculos auriculares, o martelo baterá na bigorna que vibrará o estribo no nervo
para a alma dançar, junto aos fêmures, patelas, tíbias, fíbulas, tarsos, metatarsos e falanges
Dependendo da canção, esses ossos podem estar cancerígenos,
tamanho o desgaste com o terror em partituras partidas e recortadas, sete notas perdidas
Repassada a liberação de feromônios, lendários sedutores da alma
Nasce a adrenalina que nos conduz aos atos libidinosos, profanos, proibidos, ou apenas aventureiros
A serotonina que nos embriaga mais do que o etanol do vinho
A dilatação advinda da dopamina e o relaxamento da endorfina
Minhas células de Leydig enlouquecidamente produzem testosterona
Loucas para encontrar com alguém com muito estrógeno e progesterona para ovular
Copular
Circuitos repassantes aos músculos penianos em movimentos repetitivos contra paredes vaginais
Versos marginais do fundo da alma vibram das cordas vocais em orelhas alheias
Antes que o que sobrou da somatotrofina desapareça e nada mais em nós cresça e apareça
E a epiderme, derme, hipoderme, vire e revire-se em rugas e pés-de-galinha
E todo o resto do corpo-alma comece a definhar e o estômago não consiga mais digerir
Ácido clorídrico invadindo erroneamente o duodeno, futuro sinal de apêndice inchado a explodir
Enquanto isso minhas grandes narinas alertam com o perfume das brumas da erva daninha
Per-fumada
Traqueia, brônquios, pulmões, alvéolos, preparem-se para um ataque nuclear
Cof, cof, cof, cof, cof
Pós após pó, o crack nas veias pulmonares indica ao miocárdio que veneno vai corpo adentro
Cada um dos capilares se manifestará um dia na queda capilar sobre mim
Minhas unhas manchadas e ao redor da íris a ponto de implodir os nervos oculares
Mas e o espírito, onde andou nessa dissecação?
Pelo visto está ainda deitado em seu caixão a espera de um alguém que o ressuscite, quem sabe
Não sei se irá
Mas nessa história insana que tornou-se minha exposição de entranhas estranhas
Apenas recomendo a vós, alunos e futuros, eu espero, autodissecadores
que o que sobrar desse cadáver ambulante que vos fala tenha uma sepultura digna com uma bela lápide
Algum epitáfio bonito, ou até aquela frase de caminhão
que do reto de algum caminhoneiro escapou como flatulência mortal.
Homenagem (ou quase) ao
anatomista alemão Gunther von Hagens, conhecido como Dr. Morte,
anatomista alemão Gunther von Hagens, conhecido como Dr. Morte,
curador de uma das mais polêmicas exposições de arte,
usando cadáveres humanos dissecados reais
Poenimal (pros leigos, Poema Animal)
Os porquinhos nos chamam para o passeio até o abatedouro
Toucinhos e bacon de carne humana, miolos e miocárdio suíno
What is disgusting for you, little sick bastard?
Prepare o bredo de seu credo nas tradições pascais, sacais
No nauseabundo pomar de nones, trago uma raflésia para perfumar tudo com a podridão
E o coelhinho da páscoa virará churrasco
Pode limpar meu batom, o seu rebu é da cor do meu desespero atrás do reflexo do espelho quebrado
A teoria do caos é pura teoria e nada mais, não delimita nem infinita meus fractais
Nem minhas fracções de mim, fricções de ventanias estúpidas no meu ouvido interno
Qual o próximo psico-pato que irá grasnar o canto de cisne em sugestão como minha trilha sonora?
A gente devia ouvir mais o que precisamos, mas é um saco... é melhor ouvir só o que tamos a fim
Mas todas as páginas do livro do Destino trazem a esse lugar
Todos os caminhos de seu jardim têm escrito a mesma carta-testamento
Meus balões de fala estão vazios, você não consegue ver isso aí fora do meu quadrinho?
Coordenar a Destruição é um papel inútil, supérfluo e desnecessário
Nós fazemos questão de apertar o botão do self-destruction por nossa conta e risco
Para flutuarmos como corvos e gralhas em sangue, entranhas e penas espalhadas no ar
Não há interlúdios nem pedidos de tempo quando as hienas e os abutres estão a me circundar
Ciceronear
Eu escuto suas risadas e seu anseio para que o agonizante desista duma vez
Meu moedor de carne está à minha espera para encaixotar-me em alguma linguiça ou salsicha
Ou algum outro defumado qualquer
Na criptogeografia das savanas e pradarias inexistentes nas jaulas do circo e do zoológico
Cada macaco no seu galho, ou com seu galho de arruda, ramo de trevo de quatro folhas
Vai saber se vai dar sorte ou serão selecionados pro próximo teste das cobaias decepadas
Viramos ração das galinhas gordas e usuárias de ternos e paletós chiques
Grilos cantarolam a noite adentro a pino e ao relento
Com medo das rãs e sapos estragarem tudo no brejo ao lado com seu coaxar que só Bandeira soube descrever e elucidar
Fiadores de palavras incompreensíveis, tendo a pensar que belas, que nem os papagaios imitariam
O frio da minha pele, lagártica, fugidoura das áspides
O muco pegajoso, tal qual rastros caracólicos em meio aos buracos de minhoca
Nenhuma outra dimensão consegue me tirar da selva do Rei Leão abraçado ao Tarzan
(Ou ao Jim das Selvas, se você gosta de quadrinhos descaradamente plágios... como sou um plágio de mim mesmo de algum tempo atrás, menos animalesco)
Só os cavalos por testemunha... ou os jumentos e mulos, que nunca responderão por si mesmos
Nossa colônia de paramécios continua disputando contra as amebas errantes pelas partículas de sustento
Mas as amebas continuam sugando, bactérias e bacteriófagos disputam o que sobrou do fim do mundo
Até o retroviral e o antibiótico como um dilúvio nos afogar
As fadas da morte, mosquitos e pernilongos, nasce do ovo ofertado um escorpião
E do pescado pedido sai de dentro a naja com sua peçonha preparada
O plâncton é nosso maná no submundo incompreendido pelo Homo Sapiens Sapiens
Único animal que recusa-se a se admitir como tal
Ou talvez não... a gente continua usando aquele velho ditado "filho de peixe é peixinho"
Para persistir em não desejar a alegria de nossos filhotes, mas sim a nossa
Projetando nossa vontade como a deles, nos deificando,
ainda que tolamente continuemos animais rumo ao abatedouro
E não como o Cordeiro Mudo, mas reclamando até nosso cacarejar perder o fôlego e nós a cabeça.
Toucinhos e bacon de carne humana, miolos e miocárdio suíno
What is disgusting for you, little sick bastard?
Prepare o bredo de seu credo nas tradições pascais, sacais
No nauseabundo pomar de nones, trago uma raflésia para perfumar tudo com a podridão
E o coelhinho da páscoa virará churrasco
Pode limpar meu batom, o seu rebu é da cor do meu desespero atrás do reflexo do espelho quebrado
A teoria do caos é pura teoria e nada mais, não delimita nem infinita meus fractais
Nem minhas fracções de mim, fricções de ventanias estúpidas no meu ouvido interno
Qual o próximo psico-pato que irá grasnar o canto de cisne em sugestão como minha trilha sonora?
A gente devia ouvir mais o que precisamos, mas é um saco... é melhor ouvir só o que tamos a fim
Mas todas as páginas do livro do Destino trazem a esse lugar
Todos os caminhos de seu jardim têm escrito a mesma carta-testamento
Meus balões de fala estão vazios, você não consegue ver isso aí fora do meu quadrinho?
Coordenar a Destruição é um papel inútil, supérfluo e desnecessário
Nós fazemos questão de apertar o botão do self-destruction por nossa conta e risco
Para flutuarmos como corvos e gralhas em sangue, entranhas e penas espalhadas no ar
Não há interlúdios nem pedidos de tempo quando as hienas e os abutres estão a me circundar
Ciceronear
Eu escuto suas risadas e seu anseio para que o agonizante desista duma vez
Meu moedor de carne está à minha espera para encaixotar-me em alguma linguiça ou salsicha
Ou algum outro defumado qualquer
Na criptogeografia das savanas e pradarias inexistentes nas jaulas do circo e do zoológico
Cada macaco no seu galho, ou com seu galho de arruda, ramo de trevo de quatro folhas
Vai saber se vai dar sorte ou serão selecionados pro próximo teste das cobaias decepadas
Viramos ração das galinhas gordas e usuárias de ternos e paletós chiques
Grilos cantarolam a noite adentro a pino e ao relento
Com medo das rãs e sapos estragarem tudo no brejo ao lado com seu coaxar que só Bandeira soube descrever e elucidar
Fiadores de palavras incompreensíveis, tendo a pensar que belas, que nem os papagaios imitariam
O frio da minha pele, lagártica, fugidoura das áspides
O muco pegajoso, tal qual rastros caracólicos em meio aos buracos de minhoca
Nenhuma outra dimensão consegue me tirar da selva do Rei Leão abraçado ao Tarzan
(Ou ao Jim das Selvas, se você gosta de quadrinhos descaradamente plágios... como sou um plágio de mim mesmo de algum tempo atrás, menos animalesco)
Só os cavalos por testemunha... ou os jumentos e mulos, que nunca responderão por si mesmos
Nossa colônia de paramécios continua disputando contra as amebas errantes pelas partículas de sustento
Mas as amebas continuam sugando, bactérias e bacteriófagos disputam o que sobrou do fim do mundo
Até o retroviral e o antibiótico como um dilúvio nos afogar
As fadas da morte, mosquitos e pernilongos, nasce do ovo ofertado um escorpião
E do pescado pedido sai de dentro a naja com sua peçonha preparada
O plâncton é nosso maná no submundo incompreendido pelo Homo Sapiens Sapiens
Único animal que recusa-se a se admitir como tal
Ou talvez não... a gente continua usando aquele velho ditado "filho de peixe é peixinho"
Para persistir em não desejar a alegria de nossos filhotes, mas sim a nossa
Projetando nossa vontade como a deles, nos deificando,
ainda que tolamente continuemos animais rumo ao abatedouro
E não como o Cordeiro Mudo, mas reclamando até nosso cacarejar perder o fôlego e nós a cabeça.
Assinar:
Postagens (Atom)




